Sandra Monterroso
Território Sagrado

Inauguração
24 de janeiro, 2026
15h-18h

24 de janeiro –
14 de março, 2026

Zielinsky São Paulo

 

A Zielinsky inaugura a programação de 2026 no dia 24 de janeiro com Território sagrado. A exposição é a primeira individual no Brasil da artista guatemalteca Sandra Monterroso, uma das principais vozes da arte contemporânea latino-americana. Lola Fabres assina o texto crítico que acompanha a exposição.

Guatemalteca de ascendência maia Q’eqchi’, Monterroso constrói uma obra que atravessa performance, pintura, instalação, vídeo e práticas têxteis. Seu trabalho parte da recuperação de conhecimentos tradicionais — muitas vezes apagados por processos coloniais — como forma de resistência, cura e reinscrição simbólica do território e do corpo.

Um dos eixos centrais de Território sagrado é a performance Tupuy, apresentada na abertura, às 17h. Nela, a artista aparece sentada, vestindo sua indumentária tradicional, com uma longa trança feita de sisal, à qual se amarra o tupuy — adorno têxtil ancestral utilizado por mulheres maias. A escala ampliada do objeto transforma o gesto cotidiano em estrutura escultórica e ritual.

Durante a performance, Monterroso conta repetidamente de 1 a 13 na língua maia Q’eqchi’. O número 13 tem papel central no calendário sagrado maia, correspondendo aos 13 dias que compõem seus ciclos espirituais. A ação acontece sob iluminação verde, criando uma atmosfera cerimonial que suspende o tempo expositivo e convoca outra temporalidade.

A mostra reúne ainda pinturas da série Composições em estado de calamidade, realizadas com pigmentos naturais produzidos pela própria artista, a partir de materiais como cochonilha e índigo. Nessas obras, uma espécie de névoa acinzentada cobre a superfície pictórica, evocando incêndios, contaminações ambientais, conflitos armados e outras crises globais contemporâneas.

Em contraste, os pigmentos naturais operam como sinal de persistência da natureza: matéria viva que resiste, permanece e tenta, simbolicamente, curar feridas abertas no corpo do mundo. Essa tensão entre sombra e sobrevivência atravessa toda a exposição.

Território sagrado ainda é composta por obras têxteis e escultóricas feitas com fibras naturais — algodão, linho e sisal — tingidas artesanalmente no ateliê da artista, sobretudo com índigo e cochonilha. Esses trabalhos reforçam a dimensão material e simbólica da exposição, na qual o fazer manual, o tempo do corpo e o conhecimento ancestral se afirmam como formas de pensamento e ação política.

Com mais de duas décadas de trajetória, Sandra Monterroso já representou a Guatemala em importantes bienais internacionais, como a Bienal de Veneza e a Bienal de Havana, e integra coleções públicas e privadas na América Latina, Europa e Estados Unidos. Território sagrado marca sua primeira individual na Brasil e aprofunda o diálogo da galeria com práticas artísticas que tensionam fronteiras entre arte contemporânea, espiritualidade e memória coletiva.